Capitães de Abril em 24 de Novembro de 1973!

Tenente Coronel Luis Atayde Banasol

Tenente Coronel Luis Atayde Banasol

Na noite de 24 de Novembro de 1973, aqueles que 5 meses mais tarde viriam a ser conhecidos como os Capitães de Abril, reuniram-se numa casa em São Pedro do Estoril.  Na voz dos próprios foi uma das principais reuniões do movimento, contou com a presença de mais de 40 oficiais. Um momento em particular incendiou de forma irreversível o já de si irreversível Movimento dos Capitães. A intervenção do Ten.Coronel Luís Atayde Banazol.

Passados 40 anos da data em que se realizou esta reunião, é importante relembrar essa intervenção, não só pelo seu valor histórico mas como já referi em vários textos que assinei, recordar o passado ajuda-nos a entender o presente e a antecipar o futuro. Esta afirmação é tão verdadeira como verdadeira é a cruzada intentada contra quem promove, divulga e transmite ao Povo a cultura histórica tão desprezada pelos poderes políticos.

Para que não restem dúvidas não estou a fazer a apologia do “grande educador da classe operária”. Estou sim a afirmar que é do interesse da classe politica em geral não permitir que a cultura histórica seja promovida e divulgada. Basta ver a posição genocida praticada e assumida pela Sec. de Estado da Cultura, isso será tema para outro texto.

Hoje convido-vos a ler a intervenção do Ten.Coronel Luís Atayde Banazol feita há 40 anos, em São Pedro do Estoril na noite de 24 de Novembro de 1973. Leiam e, com as devidas e necessárias correcções ao tempo e ao momento que vivemos digam lá que não se conjuga tudo, como sempre, para que a história se repita.

Digam lá se a definição feita de Estado por Salgueiro Maia em Santarém na madrugada de  25 de Abril de 1974 não volta a ser dolorosamente verdadeira “Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!”

Intervenção do Ten.Coronel Luís Atayde Banazol na reunião de S.Pedro de Estoril em 24/11/1973

Meus caros camaradas, eu creio que vocês estão a perder o que têm de bom: energia e tempo, organização e vontade. Estão a esgotar-se com um assunto que não vale a pena.

Decididamente, não vale a pena. O problema que vocês julgam que está no âmago disto tudo não vale um pataco e vai contra os nossos camaradas milicianos. Eles também têm as suas razões, e não será pelo facto de vocês conseguirem levar a melhor, que tudo ficará resolvido. Pelo contrário, cada dia que passa, tudo se agrava. E isso não é por uma questão de galões.

O que vocês estão e todos nós, é agonizantes; simplesmente agonizantes. Estrangulados por um regime que nos conduz directamente para o abismo, para a derrocada, aliás como o têm feito todos os regimes fascistas, nomeadamente os de Hitler e de Mussolini.

Todo o mundo olha para nós, oficiais do quadro permanente, como verdadeiros agentes do nazismo. Agentes das S.S. E não podemos de forma alguma evitar essa execranda imagem, se não tomarmos a iniciativa de uma reabilitação, uma redenção aos olhos do nosso povo e dos outros povos do mundo, utilizando a nossa força para derrubar o governo.

Tenho ouvido falar, insistentemente, no abalado prestígio dos oficiais. Pois que esperam vocês daqueles, cujos filhos, irmãos, e noivos são enquadrados por nós, para as guerras de África, donde poderão regressar mutilados, loucos ou mortos? Que crimes estamos todos a cometer em nome da Voz do Dono.

É preciso que acordemos do pesadelo; é preciso acabarmos de vez com a maldita guerra colonial, que nos consome tudo, incluindo a própria dignidade de militares profissionais de uma país civilizado. Todas as nossas angústias, ansiedades e neuroses, se situam na tragédia para que fomos e estamos a ser lançados, por um tenebroso conluio, que tem a hipocrisia por fachada e o assassínio por norma.

E nós, que representamos a força das armas, por que esperamos?

E nós, que vemos todos os dias esses exemplos de coragem dos moços universitários?

Desarmados, enfrentam a polícia de choque, e não deixam amortecer um só dia a luta pela Liberdade.

E nós, homens de armas?

É uma vergonha. Devemo-nos sentir envergonhados. É bem feito que nos humilhem e nos olhem com rancor. Somos a armadura da bestialidade e o bastião da brutalidade. Não tenhamos ilusões: o governo só sai a tiro e os únicos capazes de o fazer sair somos nós; mais ninguém.

Se não o fizermos, a História nos julgará, como julgou os abencerragens de Hitler e com inteira razão. Não devemos consentir que isso aconteça e que os vossos filhos e os meus netos se tenham de envergonhar de nós. Impõe-se a Revolução Armada desde já, seja qual for o seu preço e as suas consequências. “

 

8 thoughts on “Capitães de Abril em 24 de Novembro de 1973!

  1. Um discurso triste de um militar que parece estar a pedir aos seus camaradas de armas que renunciem ao mais alto valor que os militares devem ter: a defesa da Pátria! Foi com discursos destes que apareceram os Otelos, os Vasco Gonçalves e o país chegou à triste situação da comunização em 1975 e foi preciso um Jaime Neves para acabar com a bandalheira que se instalara nas Forças Armadas.

    • Por causa de pessoas como tu é que o País está na banca rota com filhos de puta dos CDSs e PPDs que roubaram o dinheiro dos contribuintes e tu deves ser tambem um porquinho ordinário que comes na mesma gamela cambada de órdinários que haviam de vir para o meu país porque esta gente nem país tem.

  2. Senhor Manuel Frazão Aqueles militares defenderam a pátria em toda a sua dignidade…porque defender a pátria é defender o seu povo mesmo que tenha que ser contra um ditador e toda a sua tirania…e foi isso que aconteceu….pena que tivessem aparecido os Jaimes Neves e quejandos que tais e hoje o país está como está

  3. O Manuel Frazão deve ser um bom seguidor de Salazar, agora representado pelo PSD e CDS. Não vou comentar o comentário aberrante de uma pessoa, que é demasiado estupido e ignorante, ou então é mesmo um porco reaccionário. Sobre o Jaime Neves, bastava ter saído uma companhia de Fuzileiros (que infelizmente não deixaram) para os encostar a todos nas barricadas.

  4. Jaime Neves, mais não fez, que repor novamente, a definição de Estado, com que Salgueiro Maia, se dirigiu aos seus militares na madrugada do golpe de 25 de Abril.

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